
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DAS IES BRASILEIRAS
Prof. Dr. Roberto Leal Lobo e Silva Filho
Prof. Dr. Oscar Hipólito
Um dos indicadores mais importantes para a medida da atividade de pesquisa de uma instituição é o que contabiliza o número de artigos publicados em periódicos científicos indexados e o impacto dessas publicações avaliado pelo número de vezes que foram citadas. Entre os indicadores, os da base de dados Thomson Scientific - Institute for Scientific Information (ISI) são um dos mais prestigiados na comunidade científica internacional. Esses indicadores têm sido utilizados tanto para analisar a produção científica como para orientar a tomada de decisões nas políticas públicas em matéria de ciência e tecnologia.
O grupo de pesquisa SCImago da Universidade de Granada, Extremadura, Carlos III (Madrid) e Alcalá de Henares, dedicado à análise da informação, disponibilizou recentemente a informação científica contida nas bases de dados Thomson-ISI referente à produção científica das instituições de ensino e de pesquisa de 10 países ibero-americanos, membros da Universia: Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Colômbia, Cuba. O Ranking Iberoamericano desses países foi elaborado com os dados da publicação científica de 750 instituições de ensino e de pesquisa que conseguiram acumular mais de 100 trabalhos indexados na base Thomson-ISI no período de 1990-2005 (http://investigacion.universia.net/isi/isi.html).
Com base nesse ranking, o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia analisou as possíveis relações existentes da produção científica indexada das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras em função 1) dos recursos recebidos do CNPQ, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia; 2) do número de doutores em regime de tempo integral das IES e 3) do número de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, reconhecidos pela CAPES/MEC nas IES.
Os dados dos recursos financeiros em bolsas e fomento à pesquisa, concedidos às instituições, estão disponibilizados no site do CNPQ, www.cnpq.br, o número de cursos de pós-graduação reconhecidos em cada IES está no site da CAPES, www.capes.gov.br e o número de doutores em tempo integral nas IES foram obtidos do senso do ensino superior de 2005, www.inep.gov.br.
As IES, objeto dessa análise, foram selecionadas a partir dos dados levantados no Ranking Iberoamericano, entre as instituições de ensino superior com um número mínimo de 50 trabalhos indexados e acumulados em seus últimos 5 anos, no período de 2001 -2005. É bom frisar que 50 trabalhos correspondem em média a 10 trabalhos por ano, uma taxa extremamente baixa para uma universidade visto que por sua própria concepção legal deveria desenvolver pesquisa stricto sensu e consequentemente publicar seus resultados em periódicos de circulação internacional.
Nessas condições, foi formado um grupo contendo 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas).
Pelos dados do senso de 2005, o sistema de ensino superior brasileiro tinha 176 Universidades, sendo 90 públicas e 86 privadas. Isso significa que 62% do total das universidades públicas e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos últimos 5 anos. O que vale dizer que praticamente 40% do total das Universidades públicas, isto é, 33% das Universidades Federais, 55% das Estaduais e 80% das Municipais, e 73% do total das Universidades Privadas não atingiram individualmente o montante de 50 trabalhos científicos indexados no período de 2001-2005.
O quadro abaixo retrata o número das Universidades quanto à sua dependência administrativa, segundo o senso do ensino superior de 2005. Fizeram parte do presente estudo apenas 44,9% do total de Universidades, isto é, aquelas que acumularam 50 ou mais trabalhos científicos indexados na base Thomson-ISI. Proporcionalamente a maior parcela é de instituições federais seguida pelas estaduais, privadas e finalmente as municipais.
|
UNIVERSIDADES |
Nº TOTAL DE UNIVERSIDADES EM 2005 |
UNIVERSIDADES ANALISADAS (COM 50 OU MAIS TRABALHOS) |
% DO TOTAL DE UNIVERSIDADES QUE FORAM ANALISADAS |
|
FEDERAIS |
52 |
40 |
76,9% |
|
ESTADUAIS |
33 |
15 |
45,4% |
|
MUNICIPAIS |
5 |
1 |
20,0% |
|
PRIVADAS |
86 |
23 |
26,7% |
|
TOTAL |
176 |
79 |
44,9% |
Em termos de publicação, nesse período de 2001-2005 foram publicados 81.904 trabalhos, resultando em uma média de 963,6 trabalhos por instituição. Porém, apenas 20 (23,5%) dessas IES produziram acima da média e representam 81,98% da produção total. As instituições públicas publicaram 77.302 trabalhos (94,38% do total) enquanto as privadas tiveram 4.602 trabalhos (5,62%).
Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo, USP, com praticamente 22% da produção total, seguida da Universidade de Campinas, UNICAMP, com 8,80% da produção total.
Tabela 1
|
RANKING DA PRODUÇÃO |
INSTITUIÇÃO |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
NÚMERO TRABALHOS PUBLICADOS |
% DO TOTAL DE TRABALHOS |
|
1º |
Universidade de São Paulo |
2865 |
3221 |
3505 |
4114 |
4240 |
17945 |
21,91% |
|
2º |
Universidade Estadual de Campinas |
1191 |
1346 |
1393 |
1607 |
1670 |
7207 |
8,80% |
|
3º |
Universidade Federal do Rio de Janeiro |
1154 |
1190 |
1204 |
1502 |
1444 |
6494 |
7,93% |
|
4º |
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho |
834 |
1003 |
1044 |
1171 |
1264 |
5316 |
6,49% |
|
5º |
Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
655 |
757 |
816 |
943 |
987 |
4158 |
5,08% |
|
6º |
Universidade Federal de Minas Gerais |
610 |
686 |
725 |
760 |
893 |
3674 |
4,49% |
|
7º |
Universidade Federal de São Paulo |
347 |
477 |
517 |
581 |
611 |
2533 |
3,09% |
|
8º |
Universidade Federal de São Carlos |
397 |
447 |
443 |
517 |
486 |
2290 |
2,80% |
|
9º |
Universidade Federal de Santa Catarina |
296 |
335 |
335 |
423 |
489 |
1878 |
2,29% |
|
10º |
Universidade Federal do Paraná |
265 |
327 |
363 |
393 |
454 |
1802 |
2,20% |
(clique aqui para ver este ranking completo)
Entre as IES privadas, as 10 instituições que apresentaram maior número de trabalhos indexados foram responsáveis por 3.170 trabalhos publicados, correspondendo a 3,87% da produção total. Encabeça a lista das IES privadas mais produtivas a PUC do Rio de Janeiro com 1035 trabalhos correspondendo a 1,26% da produção total, seguida da PUC do Rio Grande do Sul com 550 trabalhos, sendo 0,67% da produção total.
Tabela 2
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
TOTAL |
% TOTAL GERAL |
|
1º |
19º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro |
147 |
191 |
217 |
213 |
267 |
1035 |
1,26% |
|
2º |
28º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul |
65 |
86 |
111 |
132 |
156 |
550 |
0,67% |
|
3º |
36º |
Universidade Luterana do Brasil |
28 |
49 |
53 |
77 |
76 |
283 |
0,35% |
|
4º |
41º |
Universidade do Vale do Itajaí |
31 |
36 |
27 |
38 |
68 |
200 |
0,24% |
|
5º |
42º |
Universidade do Vale do Rio dos Sinos |
24 |
24 |
41 |
41 |
69 |
199 |
0,24% |
|
6º |
44º |
Universidade de Mogi das Cruzes |
16 |
37 |
51 |
55 |
38 |
197 |
0,24% |
|
7º |
47º |
Pontifícia Universidade Católica do Paraná |
18 |
15 |
34 |
63 |
58 |
188 |
0,23% |
|
8º |
49º |
Universidade do Vale do Paraíba |
20 |
24 |
40 |
40 |
52 |
176 |
0,21% |
|
9º |
49º |
Universidade Católica de Brasília |
22 |
23 |
39 |
41 |
51 |
176 |
0,21% |
|
10º |
52º |
Universidade de Caxias do Sul |
17 |
20 |
29 |
38 |
62 |
166 |
0,20% |
(clique aqui para ver este ranking completo)
A publicação indexada por região do país mostra uma forte predominância do sudeste em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.
Tabela 3
|
REGIÃO |
Número Instituições |
Trabalhos/ Instituição |
Doutores TI/ Instituição |
Número de Doutores TI |
Trabalhos/ Doutor |
Trabalhos Publicados |
% DO TOTAL DE TRABALHOS |
|
Sudeste |
40 |
1421,30 |
490,72 |
19629 |
2,90 |
56852 |
69,41% |
|
Sul |
20 |
697,00 |
403,10 |
8062 |
1,73 |
13940 |
17,01% |
|
Nordeste |
15 |
500,40 |
373,47 |
5602 |
1,34 |
7506 |
9,16% |
|
Centro Oeste |
6 |
479,00 |
399,33 |
2396 |
1,20 |
2874 |
3,50% |
|
Norte |
4 |
183,25 |
236,75 |
947 |
0,77 |
733 |
0,89% |
Em relação aos recursos para pesquisa, consideramos apenas aqueles investimentos
oriundos do CNPq, por meio de auxílios a projetos de pesquisa e bolsas de
pós-graduação. Como não estão disponíveis e em vista das dificuldades de se
obter os dados, não foram levadas em consideração outras fontes de recursos de
órgãos de fomento, como CAPES, FINEP, Fundações de Apoio públicas ou privadas, e
nem das próprias instituições como salários dos docentes/pesquisadores.
Com os recursos do CNPq, o montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil