
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DAS IES BRASILEIRAS
Prof. Dr. Roberto Leal Lobo e Silva Filho
Prof. Dr. Oscar Hipólito
Um dos indicadores mais importantes para a medida da atividade de pesquisa de uma instituição é o que contabiliza o número de artigos publicados em periódicos científicos indexados e o impacto dessas publicações avaliado pelo número de vezes que foram citadas. Entre os indicadores, os da base de dados Thomson Scientific - Institute for Scientific Information (ISI) são um dos mais prestigiados na comunidade científica internacional. Esses indicadores têm sido utilizados tanto para analisar a produção científica como para orientar a tomada de decisões nas políticas públicas em matéria de ciência e tecnologia.
O grupo de pesquisa SCImago da Universidade de Granada, Extremadura, Carlos III (Madrid) e Alcalá de Henares, dedicado à análise da informação, disponibilizou recentemente a informação científica contida nas bases de dados Thomson-ISI referente à produção científica das instituições de ensino e de pesquisa de 10 países ibero-americanos, membros da Universia: Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Colômbia, Cuba. O Ranking Iberoamericano desses países foi elaborado com os dados da publicação científica de 750 instituições de ensino e de pesquisa que conseguiram acumular mais de 100 trabalhos indexados na base Thomson-ISI no período de 1990-2005 (http://investigacion.universia.net/isi/isi.html).
Com base nesse ranking, o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia analisou as possíveis relações existentes da produção científica indexada das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras em função 1) dos recursos recebidos do CNPQ, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia; 2) do número de doutores em regime de tempo integral das IES e 3) do número de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, reconhecidos pela CAPES/MEC nas IES.
Os dados dos recursos financeiros em bolsas e fomento à pesquisa, concedidos às instituições, estão disponibilizados no site do CNPQ, www.cnpq.br, o número de cursos de pós-graduação reconhecidos em cada IES está no site da CAPES, www.capes.gov.br e o número de doutores em tempo integral nas IES foram obtidos do senso do ensino superior de 2005, www.inep.gov.br.
As IES, objeto dessa análise, foram selecionadas a partir dos dados levantados no Ranking Iberoamericano, entre as instituições de ensino superior com um número mínimo de 50 trabalhos indexados e acumulados em seus últimos 5 anos, no período de 2001 -2005. É bom frisar que 50 trabalhos correspondem em média a 10 trabalhos por ano, uma taxa extremamente baixa para uma universidade visto que por sua própria concepção legal deveria desenvolver pesquisa stricto sensu e consequentemente publicar seus resultados em periódicos de circulação internacional.
Nessas condições, foi formado um grupo contendo 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas).
Pelos dados do senso de 2005, o sistema de ensino superior brasileiro tinha 176 Universidades, sendo 90 públicas e 86 privadas. Isso significa que 62% do total das universidades públicas e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos últimos 5 anos. O que vale dizer que praticamente 40% do total das Universidades públicas, isto é, 33% das Universidades Federais, 55% das Estaduais e 80% das Municipais, e 73% do total das Universidades Privadas não atingiram individualmente o montante de 50 trabalhos científicos indexados no período de 2001-2005.
O quadro abaixo retrata o número das Universidades quanto à sua dependência administrativa, segundo o senso do ensino superior de 2005. Fizeram parte do presente estudo apenas 44,9% do total de Universidades, isto é, aquelas que acumularam 50 ou mais trabalhos científicos indexados na base Thomson-ISI. Proporcionalamente a maior parcela é de instituições federais seguida pelas estaduais, privadas e finalmente as municipais.
|
UNIVERSIDADES |
Nº TOTAL DE UNIVERSIDADES EM 2005 |
UNIVERSIDADES ANALISADAS (COM 50 OU MAIS TRABALHOS) |
% DO TOTAL DE UNIVERSIDADES QUE FORAM ANALISADAS |
|
FEDERAIS |
52 |
40 |
76,9% |
|
ESTADUAIS |
33 |
15 |
45,4% |
|
MUNICIPAIS |
5 |
1 |
20,0% |
|
PRIVADAS |
86 |
23 |
26,7% |
|
TOTAL |
176 |
79 |
44,9% |
Em termos de publicação, nesse período de 2001-2005 foram publicados 81.904 trabalhos, resultando em uma média de 963,6 trabalhos por instituição. Porém, apenas 20 (23,5%) dessas IES produziram acima da média e representam 81,98% da produção total. As instituições públicas publicaram 77.302 trabalhos (94,38% do total) enquanto as privadas tiveram 4.602 trabalhos (5,62%).
Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo, USP, com praticamente 22% da produção total, seguida da Universidade de Campinas, UNICAMP, com 8,80% da produção total.
Tabela 1
|
RANKING DA PRODUÇÃO |
INSTITUIÇÃO |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
NÚMERO TRABALHOS PUBLICADOS |
% DO TOTAL DE TRABALHOS |
|
1º |
Universidade de São Paulo |
2865 |
3221 |
3505 |
4114 |
4240 |
17945 |
21,91% |
|
2º |
Universidade Estadual de Campinas |
1191 |
1346 |
1393 |
1607 |
1670 |
7207 |
8,80% |
|
3º |
Universidade Federal do Rio de Janeiro |
1154 |
1190 |
1204 |
1502 |
1444 |
6494 |
7,93% |
|
4º |
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho |
834 |
1003 |
1044 |
1171 |
1264 |
5316 |
6,49% |
|
5º |
Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
655 |
757 |
816 |
943 |
987 |
4158 |
5,08% |
|
6º |
Universidade Federal de Minas Gerais |
610 |
686 |
725 |
760 |
893 |
3674 |
4,49% |
|
7º |
Universidade Federal de São Paulo |
347 |
477 |
517 |
581 |
611 |
2533 |
3,09% |
|
8º |
Universidade Federal de São Carlos |
397 |
447 |
443 |
517 |
486 |
2290 |
2,80% |
|
9º |
Universidade Federal de Santa Catarina |
296 |
335 |
335 |
423 |
489 |
1878 |
2,29% |
|
10º |
Universidade Federal do Paraná |
265 |
327 |
363 |
393 |
454 |
1802 |
2,20% |
(clique aqui para ver este ranking completo)
Entre as IES privadas, as 10 instituições que apresentaram maior número de trabalhos indexados foram responsáveis por 3.170 trabalhos publicados, correspondendo a 3,87% da produção total. Encabeça a lista das IES privadas mais produtivas a PUC do Rio de Janeiro com 1035 trabalhos correspondendo a 1,26% da produção total, seguida da PUC do Rio Grande do Sul com 550 trabalhos, sendo 0,67% da produção total.
Tabela 2
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
TOTAL |
% TOTAL GERAL |
|
1º |
19º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro |
147 |
191 |
217 |
213 |
267 |
1035 |
1,26% |
|
2º |
28º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul |
65 |
86 |
111 |
132 |
156 |
550 |
0,67% |
|
3º |
36º |
Universidade Luterana do Brasil |
28 |
49 |
53 |
77 |
76 |
283 |
0,35% |
|
4º |
41º |
Universidade do Vale do Itajaí |
31 |
36 |
27 |
38 |
68 |
200 |
0,24% |
|
5º |
42º |
Universidade do Vale do Rio dos Sinos |
24 |
24 |
41 |
41 |
69 |
199 |
0,24% |
|
6º |
44º |
Universidade de Mogi das Cruzes |
16 |
37 |
51 |
55 |
38 |
197 |
0,24% |
|
7º |
47º |
Pontifícia Universidade Católica do Paraná |
18 |
15 |
34 |
63 |
58 |
188 |
0,23% |
|
8º |
49º |
Universidade do Vale do Paraíba |
20 |
24 |
40 |
40 |
52 |
176 |
0,21% |
|
9º |
49º |
Universidade Católica de Brasília |
22 |
23 |
39 |
41 |
51 |
176 |
0,21% |
|
10º |
52º |
Universidade de Caxias do Sul |
17 |
20 |
29 |
38 |
62 |
166 |
0,20% |
(clique aqui para ver este ranking completo)
A publicação indexada por região do país mostra uma forte predominância do sudeste em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.
Tabela 3
|
REGIÃO |
Número Instituições |
Trabalhos/ Instituição |
Doutores TI/ Instituição |
Número de Doutores TI |
Trabalhos/ Doutor |
Trabalhos Publicados |
% DO TOTAL DE TRABALHOS |
|
Sudeste |
40 |
1421,30 |
490,72 |
19629 |
2,90 |
56852 |
69,41% |
|
Sul |
20 |
697,00 |
403,10 |
8062 |
1,73 |
13940 |
17,01% |
|
Nordeste |
15 |
500,40 |
373,47 |
5602 |
1,34 |
7506 |
9,16% |
|
Centro Oeste |
6 |
479,00 |
399,33 |
2396 |
1,20 |
2874 |
3,50% |
|
Norte |
4 |
183,25 |
236,75 |
947 |
0,77 |
733 |
0,89% |
Em relação aos recursos para pesquisa, consideramos apenas aqueles investimentos
oriundos do CNPq, por meio de auxílios a projetos de pesquisa e bolsas de
pós-graduação. Como não estão disponíveis e em vista das dificuldades de se
obter os dados, não foram levadas em consideração outras fontes de recursos de
órgãos de fomento, como CAPES, FINEP, Fundações de Apoio públicas ou privadas, e
nem das próprias instituições como salários dos docentes/pesquisadores.
Com os recursos do CNPq, o montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil reais) distribuídos entre as 85 IES, correspondendo a um investimento médio por trabalho publicado de R$ 30.069,00 (trinta mil e sessenta e nove reais).
Entre as 10 instituições que mais receberam recursos
representando 62,19% do total investido, apenas 3 delas, USP, UNICAMP e UNESP
têm investimento médio por trabalho abaixo da média global. A PUC do Rio de
Janeiro é a única instituição privada entre as 10 IES que mais receberam
recursos no período.
Tabela 4
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
Nº total trabalhos |
% trabalhos |
Investimento em mil reais |
Investimento /trabalho |
% Invest. |
|
1º |
1º |
Universidade de São Paulo |
17945 |
21,91% |
373.799 |
20,830 |
15,18% |
|
2º |
3º |
Universidade Federal do Rio de Janeiro |
6494 |
7,93% |
261.964 |
40,339 |
10,64% |
|
3º |
5º |
Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
4158 |
5,08% |
173.883 |
41,819 |
7,06% |
|
4º |
2º |
Universidade Estadual de Campinas |
7207 |
8,80% |
151.837 |
21,068 |
6,17% |
|
5º |
6º |
Universidade Federal de Minas Gerais |
3674 |
4,49% |
132.624 |
36,098 |
5,39% |
|
6º |
11º |
Universidade Federal de Pernambuco |
1725 |
2,11% |
97.605 |
56,582 |
3,96% |
|
7º |
9º |
Universidade Federal de Santa Catarina |
1878 |
2,29% |
96.329 |
51,294 |
3,91% |
|
8º |
13º |
Universidade de Brasília |
1609 |
1,96% |
91.548 |
56,898 |
3,72% |
|
9º |
4º |
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho |
5316 |
6,49% |
86.051 |
16,187 |
3,49% |
|
10º |
19º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro |
1035 |
1,26% |
65.856 |
63,629 |
2,67% |
(clique aqui para ver este ranking completo)
A UFPe, UnB e PUC-RJ são as instituições que figuram entre as 10 IES que mais receberam recursos, porém, não se encontram entre as que mais publicaram.
Entre as IES privadas, as 10 instituições que mais receberam investimentos do CNPq correspondendo a 6,42% do total de recursos, 5 delas, Vale dos Sinos, PUC-Paraná, PUC-Minas Gerais, UNIVAP e Vale do Itajaí têm investimento médio por trabalho publicado inferior ao valor médio global.
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
Nº total trabalhos |
% trabalhos |
Invest. em mil reais |
Invest. /trabalho |
% Invest. total |
|||
|
1º |
19 º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro |
1035 |
1,27% |
65.856 |
63,629 |
2,68% |
|||
|
2º |
78 º |
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo |
76 |
0,09% |
39.313 |
517,276 |
1,60% |
|||
|
3º |
28 º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul |
550 |
0,67% |
24.885 |
45,246 |
1,01% |
|||
|
4º |
81 º |
Fundação Getulio Vargas (Rio de Janeiro) |
63 |
0,08% |
5.295 |
84.048 |
0,22% |
|||
|
5º |
42 º |
Universidade do Vale do Rio dos Sinos |
199 |
0,24% |
5.067 |
25,461 |
0,21% |
|||
|
6º |
47 º |
Pontifícia Universidade Católica do Paraná |
188 |
0,23% |
4.634 |
24,647 |
0,19% |
|||
|
7º |
49 º |
UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA |
176 |
0,22% |
4.207 |
23,904 |
0,17% |
|||
|
8º |
72 º |
Pontifícia Universidade Católica de Campinas |
103 |
0,13% |
3.891 |
37,777 |
0,16% |
|||
|
9º |
55 º |
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais |
151 |
0,18% |
2.845 |
18,839 |
0,12% |
|||
|
10º |
41 º |
Universidade do Vale do Itajaí |
200 |
0,24% |
2.121 |
10,604 |
0,09% |
|||
(clique aqui para ver este ranking completo)
PUC-SP, FGV, PUCCAMP E PUC-MG estão entre as 10 instituições privadas que mais receberam investimentos, porém, não estão entre as IES que mais produziram trabalhos indexados.
Analisamos também a produção científica em função do número de doutores em tempo integral nas IES. Esse é um indicador extremamente relevante uma vez que são os doutores de uma Instituição as pessoas formadas, capacitadas e qualificadas para desenvolver os projetos de pesquisa no sentido stricto. Entendendo que a pesquisa requer dedicação total dos pesquisadores, para efeito da análise consideramos apenas os professores doutores em exercício e em regime de dedicação integral à instituição. Imaginamos com isso, não estar computando na pesquisa aqueles doutores que têm a quase totalidade de seu tempo na IES dedicado ao magistério em sala de aula, o que acontece com grande freqüência nas instituições privadas.
O número total de doutores em tempo integral nas IES analisadas, segundo o senso do ensino superior brasileiro de 2005, era de 36.636 docentes, resultando em uma média de 2,24 trabalhos publicados por doutor no período de 5 anos, o que equivale a 0,45 trabalhos científicos indexados por doutor por ano. Não fosse uma concentração muito acentuada em poucas instituições essa média poderia ser aceitável para as condições do sistema de pesquisa nacional (!). Em apenas 18 Instituições, isto é, 21,17% do total analisado, as médias de publicações por doutor estão acima da média geral. Essas Instituições, com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão na região sudeste do país, receberam 54,10% dos recursos do CNPq e são responsáveis por 59,53% do total de trabalhos publicados.
A lista das 10 Instituições que apresentaram os maiores índices de produção científica por doutor em tempo integral, mostradas na Tabela 6, é encabeçada pelo ITA, uma faculdade pública focada na área das engenharias. É importante notar nessa lista a presença de 4 instituições privadas, mostrando que grupos pequenos constituídos por pesquisadores de qualidade podem produzir competitivamente. Nota-se ainda na relação das 10 IES com maiores índices de publicações por doutor que apenas 4 delas, UNICAMP, USP, UFRS e PUC-RJ, estão entre as que mais receberam recursos do CNPq e 5 delas, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UFRGS, estão entre as que tiveram mais trabalhos publicados no período.
Tabela 6
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
TRABALHOS PUBLICADOS |
% DO TOTAL DETRABALHOS |
DOUTOR EM TI |
TRABALHOS/ DOUTORES EM TI |
|
1º |
27 º |
Instituto Tecnológico de Aeronáutica |
553 |
0,68% |
103 |
5,4 |
|
2º |
2 º |
Universidade Estadual de Campinas |
7207 |
8,80% |
1.431 |
5,0 |
|
3º |
1 º |
Universidade de São Paulo |
17945 |
21,91% |
3.683 |
4,9 |
|
4º |
8 º |
Universidade Federal de São Carlos |
2290 |
2,80% |
473 |
4,8 |
|
5º |
7 º |
Universidade Federal de São Paulo |
2533 |
3,09% |
534 |
4,7 |
|
5º |
44 º |
Universidade de Mogi das Cruzes |
197 |
0,24% |
42 |
4,7 |
|
7º |
19 º |
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro |
1035 |
1,26% |
249 |
4,2 |
|
8º |
5 º |
Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
4158 |
5,08% |
1.210 |
3,4 |
|
8º |
73 º |
Universidade de Santo Amaro |
102 |
0,12% |
30 |
3,4 |
|
10º |
82 º |
Universidade Santa Úrsula |
56 |
0,07% |
17 |
3,3 |
(clique aqui para ver este ranking completo)
Essa lista chama atenção também pela ausência de algumas Instituições que, apesar de terem grande capacidade de captar recursos, não tiveram os resultados esperados correspondentes aos índices de publicações por doutores. Entre elas estão a UFRJ (captou 10,64% da receita total), UFMG (5,39%), UFPE (3,96%), UFSC (3,91%), UnB (3,72%), UNESP (3,49%), correspondendo a 31,11% do total dos recursos concedidos às IES. Com exceção da UFRJ que teve um índice de 3,1 trabalhos por doutor, e a UFMG (2,6), as outras quatro Instituições UFPE(1,9), UFSC (1,6), UnB (1,8) e UNESP (2,2) não atingiram o índice médio de publicação por doutor (2,24) calculado para todas as IES analisadas.
Como mostra o gráfico abaixo, a produção científica das IES é fortemente dependente dos doutores em tempo integral, cuja curva de crescimento se ajusta muito bem a uma expressão quadrática, o que significa que a taxa de aumento da produção não é constante, mas cresce com o número de doutores na Instituição. Assim, Instituições com mais doutores têm taxa de crescimento da produção maior do que aquelas com número menor de doutores.
Gráfico 1 : Produção científica das IES versus número de doutores em tempo integral

No gráfico 2 abaixo está mostrada a relação existente entre a produção científica das IES por doutores em tempo integral com o fomento recebido do CNPq também por doutor. Acima da reta de tendência para o ajuste dos dados está indicado um grupo destacado de Instituições com os melhores índices da relação publicação/fomento do CNPq.: ITA, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UMC. É importante destacar aqui que a curva apresentada não mede o custo total do trabalho publicado uma vez que outras fontes importantes podem estar fomentando a pesquisa das IES, como as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, FINEP, CAPES, empresas privadas, etc. Esse fato pode explicar o destaque das IES paulistas no Gráfico 2.
Gráfico 2: Publicação por doutor em tempo integral versus fomento por doutor em tempo integral
Quando confrontada com os cursos de pós-graduação stricto sensu, mestrado e doutorado, a produção científica guarda uma relação análoga aquela descrita acima em função do número de doutores em tempo integral nas instituições. As 85 Instituições analisadas nesse estudo desenvolvem 3277 cursos de mestrados e doutorados com uma produção científica média de 24,99 trabalhos indexados por curso no período de 5 anos, de 2001 a 2005, ou seja 5 trabalhos indexados/curso/ano. Uma média muito baixa para programas que têm o dever de desenvolver pesquisas para formar mestres e doutores competentes e capacitados para o ensino e a pesquisa. Apenas 19 (22,35%) Instituições têm produção científica acima da média. Elas desenvolvem 1496 cursos ( 45,65% do total de cursos), são responsáveis por 68,49% da produção total e receberam 57,10% dos recursos totais concedidos pelo CNPq. Dessas Instituições, 16 estão na região sudeste do país e 3 estão na região sul.
As 10 Instituições que apresentaram maiores números de trabalhos publicados por curso estão mostradas na Tabela 7 abaixo.
Tabela 7
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
Nº TOTAL DE TRABALHOS |
Nº TOTAL DE CURSOS |
TRABALHOS POR CURSO |
|
1º |
27 º |
Instituto Tecnológico de Aeronáutica |
553 |
8 |
69,13 |
|
2º |
62 º |
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto |
129 |
2 |
64,50 |
|
3º |
2 º |
Universidade Estadual de Campinas |
7207 |
127 |
56,75 |
|
4º |
82 º |
Universidade Santa Úrsula |
56 |
1 |
56,00 |
|
5º |
44 º |
Universidade de Mogi das Cruzes |
197 |
4 |
49,25 |
|
6º |
8 º |
Universidade Federal de São Carlos |
2290 |
50 |
45,80 |
|
7º |
1 º |
Universidade de São Paulo |
17945 |
409 |
43,88 |
|
8º |
3 º |
Universidade Federal do Rio de Janeiro |
6494 |
157 |
41,36 |
|
9º |
16 º |
Universidade Estadual de Maringá |
1366 |
36 |
37,94 |
|
10º |
73 º |
Universidade de Santo Amaro |
102 |
3 |
34,00 |
(clique aqui para ver este ranking completo)
Quando comparada com a Tabela 6 das instituições com melhores índices de produção por docente em TI verifica-se que a UNIFESP, PUC-RJ e UFRGS não aparecem como as instituições com maiores números de trabalhos por cursos de pós-graduação.
Finalmente calculamos o índice de produtividade, IP, de uma Instituição, relativo às suas atividades de pesquisa. Esse índice que mede a eficiência da Instituição leva em conta o investimento do CNPq por trabalho publicado, o número de trabalhos publicados por doutor em tempo integral e o número de trabalhos publicados por curso de pós-graduação da Instituição. O cálculo é feito a partir da técnica estatística da construção de componentes principais, e o resultado obtido classificando as 10 Instituições que obtiveram os melhores IP, está mostrado na Tabela 8 abaixo.
Tabela 8
|
|
POSIÇÃO NO RANKING |
INSTITUIÇÃO |
IP |
|
1º |
27 º |
Instituto Tecnológico de Aeronáutica |
4,77 |
|
2º |
2 º |
Universidade Estadual de Campinas |
3,88 |
|
3º |
44 º |
Universidade de Mogi das Cruzes |
3,36 |
|
4º |
8 º |
Universidade Federal de São Carlos |
3,21 |
|
5º |
1 º |
Universidade de São Paulo |
3,12 |
|
6º |
82 º |
Universidade Santa Úrsula |
2,97 |
|
7º |
62 º |
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto |
2,90 |
|
8º |
7 º |
Universidade Federal de São Paulo |
2,30 |
|
9º |
3 º |
Universidade Federal do Rio de Janeiro |
1,91 |
|
10º |
73 º |
Universidade de Santo Amaro |
1,89 |
(clique aqui para ver este ranking completo)
É de se destacar a presença de 3 Instituições privadas, entre as 10 IES com os maiores índices de produtividade obtidos a partir dos indicadores da produção científica, fomento e cursos de pós-graduação. Além disso, outras duas Instituições, Faculdades especializadas, uma na área tecnológica e outra na saúde, aparecem nessa relação.
Esses resultados mostram que a implantação da pesquisa em uma IES é possível desde que feita a partir de um planejamento estratégico meticuloso e limitada a alguns grupos com pesquisadores experientes e capazes de gerarem parte importante dos recursos necessários à sustentação de suas atividades.
CONCLUSÃO
A produção científica das Instituições de Ensino Superior brasileiras que acumularam 50 ou mais trabalhos indexados na base de dados Thomson-ISI, no período de 2001 a 2005, foi analisada em função dos seguintes indicadores: número de doutores em tempo integral, recursos recebidos do CNPq e número de cursos de pós-graduação reconhecidos pela CAPES/MEC. Utilizando técnicas de estatística da construção de componentes principais foi calculado o índice de produtividade, IP, que leva em conta esses indicadores e dá uma medida da eficiência da Instituição nas atividades de pesquisa.
Nessas condições, foi analisado um grupo de 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas), o que significa que 62% do total das universidades públicas brasileiras e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos 5 anos considerados.
Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo.
A análise da produção por região do país mostra uma forte predominância do sudeste em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.
Em relação aos recursos, consideramos apenas o fomento do CNPq cujo montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil reais) distribuídos entre as 85 IES, correspondendo a um investimento médio por trabalho publicado de R$ 30.069,00 (trinta mil e sessenta e nove reais).
Entre as 10 instituições que mais receberam recursos representando 62,19% do total investido, apenas 3 delas, USP, UNICAMP e UNESP têm investimento médio por trabalho abaixo da média global.
A média de publicação por doutores em tempo integral foi de 2,24 trabalhos publicados no período de 5 anos, o que equivale a 0,45 trabalhos científicos indexados por doutor por ano. Em apenas 18 Instituições, isto é, 21,17% do total analisado, as médias de publicações por doutor estão acima da média geral. Essas Instituições, com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão na região sudeste do país, receberam 54,10% dos recursos do CNPq e são responsáveis por 59,53% do total de trabalhos publicados.
Na lista das 10 Instituições que tiveram os maiores índices de publicação por doutor nota-se a presença de 4 instituições privadas, mostrando que grupos pequenos constituídos por pesquisadores de qualidade podem produzir competitivamente, alcançando índices de produtividade que as situam entre as mais eficientes nas atividades de pesquisa.
Foi verificado também que a produção científica está fortemente relacionada ao número de doutores em tempo integral das IES.
Também foi analisada a relação existente entre a produção científica das IES por doutores em tempo integral com o fomento recebido do CNPq por doutor. Um grupo de Instituições se destacou com os melhores índices da relação publicação/fomento:
ITA, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UMC.
Em relação aos cursos de pós-graduação stricto sensu, as 85 Instituições analisadas nesse estudo desenvolvem 3277 cursos de mestrados e doutorados com uma produção científica média de 24,99 trabalhos indexados por curso no período de 5 anos, de 2001 a 2005, ou seja 5 trabalhos indexados/curso/ano. Uma média muito baixa para programas que têm o dever de desenvolver pesquisas para formar mestres e doutores competentes e capacitados para o ensino e a pesquisa. Finalmente os maiores índices de produtividade relativo às atividades de pesquisa, revelou entre as 10 Instituições a presença de 3 IES privadas e duas Faculdades Especializadas de pequeno porte, mostrando que grupos pequenos podem desenvolver pesquisa de qualidade e com competitividade.
______________________________________________________________________
* Os autores agradecem os inúmeros comentários e sugestões recebidos, alguns dos quais foram incorporados nessa nova versão.