PRODUÇÃO CIENTÍFICA DAS IES BRASILEIRAS

 

                                                                                                                    Prof. Dr. Roberto Leal Lobo e Silva Filho

                                                                                                                                               Prof. Dr. Oscar Hipólito

 

Versão revisada e  atualizada em 15 fevereiro de 2008*

 

Um dos indicadores mais importantes para a medida da atividade de pesquisa de uma instituição é o que contabiliza o número de artigos publicados em periódicos científicos indexados e o impacto dessas publicações avaliado pelo número de vezes que foram citadas. Entre os indicadores, os da base de dados Thomson Scientific - Institute for Scientific Information (ISI) são um dos mais prestigiados na comunidade científica internacional. Esses indicadores têm sido utilizados tanto para analisar a produção científica como para orientar a tomada de decisões nas políticas públicas em matéria de ciência e tecnologia.

O grupo de pesquisa SCImago da Universidade de Granada, Extremadura, Carlos III (Madrid) e Alcalá de Henares, dedicado à análise da informação, disponibilizou recentemente a informação científica contida nas bases de dados Thomson-ISI referente à produção científica das instituições de ensino e de pesquisa de 10 países ibero-americanos, membros da Universia: Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Colômbia, Cuba. O Ranking Iberoamericano desses países foi elaborado com os dados da publicação científica de 750 instituições de ensino e de pesquisa que conseguiram acumular mais de 100 trabalhos indexados na base Thomson-ISI no período de 1990-2005 (http://investigacion.universia.net/isi/isi.html).

Com base nesse ranking, o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia analisou as possíveis relações existentes da produção científica indexada das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras em função 1) dos recursos recebidos do CNPQ, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia; 2) do número de doutores em regime de tempo integral das IES e 3) do número de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, reconhecidos pela CAPES/MEC nas IES.

Os dados dos recursos financeiros em bolsas e fomento à pesquisa, concedidos às instituições, estão disponibilizados no site do CNPQ, www.cnpq.br, o número de cursos de pós-graduação reconhecidos em cada IES está no site da CAPES, www.capes.gov.br e o número de doutores em tempo integral nas IES foram obtidos do senso do ensino superior de 2005, www.inep.gov.br.

As IES, objeto dessa análise, foram selecionadas a partir dos dados levantados no Ranking Iberoamericano, entre as instituições de ensino superior com um número mínimo de 50 trabalhos indexados e acumulados em seus últimos 5 anos, no período de 2001 -2005. É bom frisar que 50 trabalhos correspondem em média a 10 trabalhos por ano, uma taxa extremamente baixa para uma universidade visto que por sua própria concepção legal deveria desenvolver pesquisa stricto sensu e consequentemente publicar seus resultados em periódicos de circulação internacional.

Nessas condições, foi formado um grupo contendo 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas).

 Pelos dados do senso de 2005, o sistema de ensino superior brasileiro tinha 176 Universidades, sendo 90 públicas e 86 privadas. Isso significa que 62% do total das universidades públicas e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos últimos 5 anos. O que vale dizer que praticamente 40% do total das Universidades públicas, isto é, 33% das Universidades Federais, 55% das Estaduais e 80% das Municipais, e 73% do total das Universidades Privadas não atingiram individualmente o montante de 50 trabalhos científicos indexados no período de 2001-2005.

O quadro abaixo retrata o número das Universidades quanto à sua dependência administrativa, segundo o senso do ensino superior de 2005. Fizeram parte do presente estudo apenas 44,9% do total de Universidades, isto é, aquelas que acumularam 50 ou mais trabalhos científicos indexados na base Thomson-ISI. Proporcionalamente a maior parcela é de instituições federais seguida pelas estaduais, privadas e finalmente as municipais.

 

UNIVERSIDADES

Nº TOTAL DE  UNIVERSIDADES EM 2005

UNIVERSIDADES ANALISADAS (COM 50 OU MAIS TRABALHOS)

% DO TOTAL DE UNIVERSIDADES QUE FORAM  ANALISADAS

FEDERAIS

52

40

76,9%

ESTADUAIS

33

15

45,4%

MUNICIPAIS

5

1

20,0%

PRIVADAS

86

23

26,7%

TOTAL

176

79

44,9%

 

Em termos de publicação, nesse período de 2001-2005 foram publicados 81.904 trabalhos, resultando em uma média de 963,6 trabalhos por instituição. Porém, apenas 20 (23,5%) dessas IES produziram acima da média e representam 81,98% da produção total. As instituições públicas publicaram 77.302 trabalhos (94,38% do total) enquanto as privadas tiveram 4.602 trabalhos (5,62%).

Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo, USP, com praticamente 22% da produção total, seguida da Universidade de Campinas, UNICAMP, com 8,80% da produção total.

Tabela 1

RANKING DA PRODUÇÃO

INSTITUIÇÃO

2001

2002

2003

2004

2005

NÚMERO TRABALHOS

PUBLICADOS

% DO TOTAL DE TRABALHOS

Universidade de São Paulo

2865

3221

3505

4114

4240

17945

21,91%

Universidade Estadual de Campinas

1191

1346

1393

1607

1670

7207

8,80%

Universidade Federal do Rio de Janeiro

1154

1190

1204

1502

1444

6494

7,93%

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

834

1003

1044

1171

1264

5316

6,49%

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

655

757

816

943

987

4158

5,08%

Universidade Federal de Minas Gerais

610

686

725

760

893

3674

4,49%

Universidade Federal de São Paulo

347

477

517

581

611

2533

3,09%

Universidade Federal de São Carlos

397

447

443

517

486

2290

2,80%

Universidade Federal de Santa Catarina

296

335

335

423

489

1878

2,29%

10º

Universidade Federal do Paraná

265

327

363

393

454

1802

2,20%

(clique aqui para ver este ranking completo)

Entre as IES privadas, as 10 instituições que apresentaram maior número de trabalhos indexados foram responsáveis por 3.170 trabalhos publicados, correspondendo a 3,87% da produção total. Encabeça a lista das IES privadas mais produtivas a PUC do Rio de Janeiro com 1035 trabalhos correspondendo a 1,26% da produção total, seguida da PUC do Rio Grande do Sul com 550 trabalhos, sendo 0,67% da produção total.

Tabela 2

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

2001

2002

2003

2004

2005

TOTAL

% TOTAL GERAL

19º

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

147

191

217

213

267

1035

1,26%

28º

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

65

86

111

132

156

550

0,67%

36º

Universidade Luterana do Brasil

28

49

53

77

76

283

0,35%

41º

Universidade do Vale do Itajaí

31

36

27

38

68

200

0,24%

42º

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

24

24

41

41

69

199

0,24%

44º

Universidade de Mogi das Cruzes

16

37

51

55

38

197

0,24%

47º

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

18

15

34

63

58

188

0,23%

49º

Universidade do Vale do Paraíba

20

24

40

40

52

176

0,21%

49º

Universidade Católica de Brasília

22

23

39

41

51

176

0,21%

10º

52º

Universidade de Caxias do Sul

17

20

29

38

62

166

0,20%

(clique aqui para ver este ranking completo)

 

A publicação indexada por região do país mostra uma forte predominância do sudeste  em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.

Tabela 3

REGIÃO

Número Instituições

Trabalhos/

Instituição

Doutores TI/

Instituição

Número de Doutores  TI

Trabalhos/

Doutor

Trabalhos

Publicados

%  DO TOTAL DE

TRABALHOS

Sudeste

40

1421,30

490,72

19629

2,90

56852

69,41%

Sul

20

697,00

403,10

8062

1,73

13940

17,01%

Nordeste

15

500,40

373,47

5602

1,34

7506

9,16%

Centro Oeste

6

479,00

399,33

2396

1,20

2874

3,50%

Norte

4

183,25

236,75

947

0,77

733

0,89%


Em relação aos recursos para pesquisa, consideramos apenas aqueles investimentos oriundos do CNPq, por meio de auxílios a projetos de pesquisa e bolsas de pós-graduação. Como não estão disponíveis e em vista das dificuldades de se obter os dados, não foram levadas em consideração outras fontes de recursos de órgãos de fomento, como CAPES, FINEP, Fundações de Apoio públicas ou privadas, e nem das próprias instituições como salários dos docentes/pesquisadores.

Com os recursos do CNPq, o montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil reais) distribuídos entre as 85 IES, correspondendo a um investimento médio por trabalho publicado de R$ 30.069,00 (trinta mil e sessenta e nove reais).

Entre as 10 instituições que mais receberam recursos representando 62,19% do total investido, apenas 3 delas, USP, UNICAMP e UNESP têm investimento médio por trabalho abaixo da média global. A PUC do Rio de Janeiro é a única instituição privada entre as 10 IES que mais receberam recursos no período.

 

Tabela 4

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

Nº total trabalhos

% trabalhos

Investimento

em mil reais

Investimento

/trabalho

% Invest.

Universidade de São Paulo

17945

21,91%

373.799

20,830

15,18%

Universidade Federal do Rio de Janeiro

6494

7,93%

261.964

40,339

10,64%

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

4158

5,08%

173.883

41,819

7,06%

Universidade Estadual de Campinas

7207

8,80%

151.837

21,068

6,17%

Universidade Federal de Minas Gerais

3674

4,49%

132.624

36,098

5,39%

11º

Universidade Federal de Pernambuco

1725

2,11%

97.605

56,582

3,96%

Universidade Federal de Santa Catarina

1878

2,29%

96.329

51,294

3,91%

13º

Universidade de Brasília

1609

1,96%

91.548

56,898

3,72%

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

5316

6,49%

86.051

16,187

3,49%

10º

19º

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

1035

1,26%

65.856

63,629

2,67%

 (clique aqui para ver este ranking completo)

 

A UFPe, UnB e PUC-RJ são as instituições que figuram entre as 10 IES que mais receberam recursos, porém, não se encontram entre as que mais publicaram.

Entre as IES privadas, as 10 instituições que mais receberam investimentos do CNPq correspondendo a 6,42% do total de recursos, 5 delas, Vale dos Sinos, PUC-Paraná, PUC-Minas Gerais, UNIVAP e Vale do Itajaí têm investimento médio por trabalho publicado inferior ao valor médio global.

 

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

Nº total trabalhos

% trabalhos

Invest.

em mil reais

Invest.

/trabalho

% Invest.

total

19 º

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

1035

1,27%

65.856

63,629

2,68%

78 º

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

76

0,09%

39.313

517,276

1,60%

28 º

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

550

0,67%

24.885

45,246

1,01%

81 º

Fundação Getulio Vargas (Rio de Janeiro)

63

0,08%

5.295

84.048

0,22%

42 º

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

199

0,24%

5.067

25,461

0,21%

47 º

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

188

0,23%

4.634

24,647

0,19%

49 º

UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA

176

0,22%

4.207

23,904

0,17%

72 º

Pontifícia Universidade Católica de Campinas

103

0,13%

3.891

37,777

0,16%

55 º

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

151

0,18%

2.845

18,839

0,12%

10º

41 º

Universidade do Vale do Itajaí

200

0,24%

2.121

10,604

0,09%

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 PUC-SP, FGV, PUCCAMP E PUC-MG estão entre as 10 instituições privadas que mais receberam investimentos, porém, não estão entre as IES que mais produziram trabalhos indexados.

 

Analisamos também a produção científica em função do número de doutores em tempo integral nas IES. Esse é um indicador extremamente relevante uma vez que são os doutores de uma Instituição as pessoas formadas, capacitadas e qualificadas para desenvolver os projetos de pesquisa no sentido stricto. Entendendo que a pesquisa requer dedicação total dos pesquisadores, para efeito da análise consideramos apenas os professores doutores em exercício e em regime de dedicação integral à instituição. Imaginamos com isso, não estar computando na pesquisa aqueles doutores que têm a quase totalidade de seu tempo na IES dedicado ao magistério em sala de aula, o que acontece com grande freqüência nas instituições privadas.

O número total de doutores em tempo integral nas IES analisadas, segundo o senso do ensino superior brasileiro de 2005, era de 36.636 docentes, resultando em uma média de 2,24 trabalhos publicados por doutor no período de 5 anos, o que equivale a 0,45 trabalhos científicos indexados por doutor por ano. Não fosse uma concentração muito acentuada em poucas instituições essa média poderia ser aceitável para as condições do sistema de pesquisa nacional (!). Em apenas 18 Instituições, isto é, 21,17% do total analisado, as médias de publicações por doutor estão acima da média geral. Essas Instituições, com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão na região sudeste do país, receberam 54,10% dos recursos do CNPq e são responsáveis por 59,53% do total de trabalhos publicados.

A lista das 10 Instituições que apresentaram os maiores índices de produção científica por doutor em tempo integral, mostradas na Tabela 6, é encabeçada pelo ITA, uma faculdade pública focada na área das engenharias. É importante notar nessa lista a presença de 4 instituições privadas, mostrando que grupos pequenos constituídos por pesquisadores de qualidade podem produzir competitivamente. Nota-se ainda na relação das 10 IES com maiores índices de publicações por doutor que apenas 4 delas, UNICAMP, USP, UFRS e PUC-RJ, estão entre as que mais receberam recursos do CNPq e 5 delas, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UFRGS, estão entre as que tiveram mais trabalhos publicados no período.

 

 

 

 

Tabela 6

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

TRABALHOS

PUBLICADOS

% DO TOTAL DETRABALHOS

DOUTOR EM TI

TRABALHOS/

DOUTORES EM TI

27 º 

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

553

0,68%

103

5,4

2 º

Universidade Estadual de Campinas

7207

8,80%

1.431

5,0

1 º

Universidade de São Paulo

17945

21,91%

3.683

4,9

8 º

Universidade Federal de São Carlos

2290

2,80%

473

4,8

7 º

Universidade Federal de São Paulo

2533

3,09%

534

4,7

44 º

Universidade de Mogi das Cruzes

197

0,24%

42

4,7

19 º

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

1035

1,26%

249

4,2

5 º

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

4158

5,08%

1.210

3,4

73 º

Universidade de Santo Amaro

102

0,12%

30

3,4

10º

82 º

Universidade Santa Úrsula

56

0,07%

17

3,3

 (clique aqui para ver este ranking completo)

 

Essa lista chama atenção também pela ausência de algumas Instituições que, apesar de terem grande capacidade de captar recursos, não tiveram os resultados esperados correspondentes aos índices de publicações por doutores. Entre elas estão a UFRJ (captou 10,64% da receita total), UFMG (5,39%), UFPE (3,96%), UFSC (3,91%), UnB (3,72%), UNESP (3,49%), correspondendo a 31,11% do total dos recursos concedidos às IES. Com exceção da UFRJ que teve um índice de 3,1 trabalhos por doutor, e a UFMG (2,6), as outras quatro Instituições UFPE(1,9), UFSC (1,6), UnB (1,8) e UNESP (2,2) não atingiram o índice médio de publicação por doutor (2,24) calculado para todas as IES analisadas.

Como mostra o gráfico abaixo, a produção científica das IES é fortemente dependente dos doutores em tempo integral, cuja curva de crescimento se ajusta muito bem a uma expressão quadrática, o que significa que a taxa de aumento da produção não é constante, mas cresce com o número de doutores na Instituição. Assim, Instituições com mais doutores têm taxa de crescimento da produção maior do que aquelas com número menor de doutores.

 

Gráfico 1 :  Produção científica das IES versus número de doutores em tempo integral

 

No gráfico 2 abaixo está mostrada a relação existente entre a produção científica das IES por doutores em tempo integral com o fomento recebido do CNPq também por doutor. Acima da reta de tendência para o ajuste dos dados está indicado um grupo destacado de Instituições com os melhores índices da relação publicação/fomento do CNPq.: ITA, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UMC.  É importante destacar aqui que a curva apresentada não mede o custo total do trabalho publicado uma vez que outras fontes importantes podem estar fomentando a pesquisa das IES, como as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, FINEP, CAPES, empresas privadas, etc. Esse fato pode explicar o destaque das IES paulistas no Gráfico 2.

 

Gráfico 2: Publicação por doutor em tempo integral versus fomento por doutor em tempo integral

    

 

 

Quando confrontada com os cursos de pós-graduação stricto sensu, mestrado e doutorado, a produção científica guarda uma relação análoga aquela descrita acima em função do número de doutores em tempo integral nas instituições. As 85 Instituições analisadas nesse estudo desenvolvem 3277 cursos de mestrados e doutorados com uma produção científica média de 24,99 trabalhos indexados por curso no período de 5 anos, de 2001 a 2005, ou seja 5 trabalhos indexados/curso/ano. Uma média muito baixa para programas que têm o dever de desenvolver pesquisas para formar mestres e doutores competentes e capacitados para o ensino e a pesquisa. Apenas 19 (22,35%) Instituições têm produção científica acima da média. Elas desenvolvem 1496 cursos ( 45,65% do total de cursos), são responsáveis por 68,49% da produção total e receberam 57,10% dos recursos totais concedidos pelo CNPq. Dessas Instituições, 16 estão na região sudeste do país e 3 estão na região sul.

As 10 Instituições que apresentaram maiores números de trabalhos publicados por curso estão mostradas na Tabela 7 abaixo.

 

 

 

Tabela 7

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

Nº TOTAL DE TRABALHOS

Nº TOTAL DE CURSOS

TRABALHOS POR CURSO

27 º

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

553

8

69,13

62 º

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

129

2

64,50

2 º

Universidade Estadual de Campinas

7207

127

56,75

82 º

Universidade Santa Úrsula

56

1

56,00

44 º

Universidade de Mogi das Cruzes

197

4

49,25

8 º

Universidade Federal de São Carlos

2290

50

45,80

1 º

Universidade de São Paulo

17945

409

43,88

3 º

Universidade Federal do Rio de Janeiro

6494

157

41,36

16 º

Universidade Estadual de Maringá

1366

36

37,94

10º

73 º

Universidade de Santo Amaro

102

3

34,00

(clique aqui para ver este ranking completo)

 

Quando comparada com a Tabela 6 das instituições com melhores índices de produção por docente em TI verifica-se que a UNIFESP, PUC-RJ e UFRGS não aparecem como as instituições com maiores números de trabalhos por cursos de pós-graduação.

 

Finalmente calculamos o índice de produtividade, IP, de uma Instituição, relativo às suas atividades de pesquisa. Esse índice que mede a eficiência da Instituição leva em conta o investimento do CNPq por trabalho publicado, o número de trabalhos publicados por doutor em tempo integral e o número de trabalhos publicados por curso de pós-graduação da Instituição. O cálculo é feito a partir da técnica estatística da construção de componentes principais, e o resultado obtido classificando as 10 Instituições que obtiveram os melhores IP, está mostrado na Tabela 8 abaixo.

 

 

 

 

Tabela 8

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

IP

27 º

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

4,77

2 º

Universidade Estadual de Campinas

3,88

44 º

Universidade de Mogi das Cruzes

3,36

8 º

Universidade Federal de São Carlos

3,21

1 º

Universidade de São Paulo

3,12

82 º

Universidade Santa Úrsula

2,97

62 º

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

2,90

7 º

Universidade Federal de São Paulo

2,30

3 º

Universidade Federal do Rio de Janeiro

1,91

10º

73 º

Universidade de Santo Amaro

1,89

(clique aqui para ver este ranking completo)

 

É de se destacar a presença de 3 Instituições privadas, entre as 10 IES com os maiores índices de produtividade obtidos a partir dos indicadores da produção científica, fomento e cursos de pós-graduação. Além disso, outras duas Instituições, Faculdades especializadas, uma na área tecnológica e outra na saúde, aparecem nessa relação.

Esses resultados mostram que a implantação da pesquisa em uma IES é possível desde que feita a partir de um planejamento estratégico meticuloso e limitada a alguns grupos com pesquisadores experientes e capazes de gerarem parte importante dos recursos necessários à sustentação de suas atividades.

 

 

CONCLUSÃO

 

A produção científica das Instituições de Ensino Superior brasileiras que acumularam 50 ou mais trabalhos indexados na base de dados Thomson-ISI, no período de 2001 a 2005, foi analisada em função dos seguintes indicadores: número de doutores em tempo integral, recursos recebidos do CNPq e número de cursos de pós-graduação reconhecidos pela CAPES/MEC. Utilizando técnicas de estatística da construção de componentes principais foi calculado o índice de produtividade, IP, que leva em conta esses indicadores e dá uma medida da eficiência da Instituição nas atividades de pesquisa.

Nessas condições, foi analisado um grupo de 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas), o que significa que 62% do total das universidades públicas brasileiras e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos 5 anos considerados.

Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo.

A análise da produção por região do país mostra uma forte predominância do sudeste em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.

Em relação aos recursos, consideramos apenas o fomento do CNPq cujo montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil reais) distribuídos entre as 85 IES, correspondendo a um investimento médio por trabalho publicado de R$ 30.069,00 (trinta mil e sessenta e nove reais).

Entre as 10 instituições que mais receberam recursos representando 62,19% do total investido, apenas 3 delas, USP, UNICAMP e UNESP têm investimento médio por trabalho abaixo da média global.

A média de publicação por doutores em tempo integral foi de 2,24 trabalhos publicados no período de 5 anos, o que equivale a 0,45 trabalhos científicos indexados por doutor por ano. Em apenas 18 Instituições, isto é, 21,17% do total analisado, as médias de publicações por doutor estão acima da média geral. Essas Instituições, com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão na região sudeste do país, receberam 54,10% dos recursos do CNPq e são responsáveis por 59,53% do total de trabalhos publicados.

Na lista das 10 Instituições que tiveram os maiores  índices de publicação por doutor  nota-se a presença de 4 instituições privadas, mostrando que grupos pequenos constituídos por pesquisadores de qualidade podem produzir competitivamente, alcançando índices de produtividade que as situam entre as mais eficientes nas  atividades de pesquisa.

Foi verificado também que a produção científica está fortemente relacionada ao número de doutores em tempo integral das IES.

Também foi analisada a relação existente entre a produção científica das IES por doutores em tempo integral com o fomento recebido do CNPq por doutor. Um grupo de Instituições se destacou com os melhores índices da relação publicação/fomento:

ITA, UNICAMP, USP, UFSCar, UNIFESP e UMC.

Em relação aos cursos de pós-graduação stricto sensu, as 85 Instituições analisadas nesse estudo desenvolvem 3277 cursos de mestrados e doutorados com uma produção científica média de 24,99 trabalhos indexados por curso no período de 5 anos, de 2001 a 2005, ou seja 5 trabalhos indexados/curso/ano. Uma média muito baixa para programas que têm o dever de desenvolver pesquisas para formar mestres e doutores competentes e capacitados para o ensino e a pesquisa. Finalmente os maiores índices de produtividade relativo às atividades de pesquisa, revelou entre as 10 Instituições a presença de 3 IES privadas e duas Faculdades Especializadas de pequeno porte, mostrando que grupos pequenos podem desenvolver pesquisa de qualidade e com competitividade.

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* Os autores agradecem os inúmeros comentários e sugestões recebidos, alguns dos quais foram incorporados nessa nova versão.