PRODUÇÃO CIENTÍFICA DAS IES BRASILEIRAS

 

                                                                                                                    Prof. Dr. Roberto Leal Lobo e Silva Filho

                                                                                                                                               Prof. Dr. Oscar Hipólito

 

Versão revisada e  atualizada em 15 fevereiro de 2008*

 

Um dos indicadores mais importantes para a medida da atividade de pesquisa de uma instituição é o que contabiliza o número de artigos publicados em periódicos científicos indexados e o impacto dessas publicações avaliado pelo número de vezes que foram citadas. Entre os indicadores, os da base de dados Thomson Scientific - Institute for Scientific Information (ISI) são um dos mais prestigiados na comunidade científica internacional. Esses indicadores têm sido utilizados tanto para analisar a produção científica como para orientar a tomada de decisões nas políticas públicas em matéria de ciência e tecnologia.

O grupo de pesquisa SCImago da Universidade de Granada, Extremadura, Carlos III (Madrid) e Alcalá de Henares, dedicado à análise da informação, disponibilizou recentemente a informação científica contida nas bases de dados Thomson-ISI referente à produção científica das instituições de ensino e de pesquisa de 10 países ibero-americanos, membros da Universia: Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Colômbia, Cuba. O Ranking Iberoamericano desses países foi elaborado com os dados da publicação científica de 750 instituições de ensino e de pesquisa que conseguiram acumular mais de 100 trabalhos indexados na base Thomson-ISI no período de 1990-2005 (http://investigacion.universia.net/isi/isi.html).

Com base nesse ranking, o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia analisou as possíveis relações existentes da produção científica indexada das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras em função 1) dos recursos recebidos do CNPQ, Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia; 2) do número de doutores em regime de tempo integral das IES e 3) do número de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, reconhecidos pela CAPES/MEC nas IES.

Os dados dos recursos financeiros em bolsas e fomento à pesquisa, concedidos às instituições, estão disponibilizados no site do CNPQ, www.cnpq.br, o número de cursos de pós-graduação reconhecidos em cada IES está no site da CAPES, www.capes.gov.br e o número de doutores em tempo integral nas IES foram obtidos do senso do ensino superior de 2005, www.inep.gov.br.

As IES, objeto dessa análise, foram selecionadas a partir dos dados levantados no Ranking Iberoamericano, entre as instituições de ensino superior com um número mínimo de 50 trabalhos indexados e acumulados em seus últimos 5 anos, no período de 2001 -2005. É bom frisar que 50 trabalhos correspondem em média a 10 trabalhos por ano, uma taxa extremamente baixa para uma universidade visto que por sua própria concepção legal deveria desenvolver pesquisa stricto sensu e consequentemente publicar seus resultados em periódicos de circulação internacional.

Nessas condições, foi formado um grupo contendo 85 IES, composto de 79 Universidades (23 privadas e 56 públicas) e 06 Faculdades (04 públicas e 02 privadas).

 Pelos dados do senso de 2005, o sistema de ensino superior brasileiro tinha 176 Universidades, sendo 90 públicas e 86 privadas. Isso significa que 62% do total das universidades públicas e 27% das privadas apresentaram mais de 50 trabalhos científicos indexados nos últimos 5 anos. O que vale dizer que praticamente 40% do total das Universidades públicas, isto é, 33% das Universidades Federais, 55% das Estaduais e 80% das Municipais, e 73% do total das Universidades Privadas não atingiram individualmente o montante de 50 trabalhos científicos indexados no período de 2001-2005.

O quadro abaixo retrata o número das Universidades quanto à sua dependência administrativa, segundo o senso do ensino superior de 2005. Fizeram parte do presente estudo apenas 44,9% do total de Universidades, isto é, aquelas que acumularam 50 ou mais trabalhos científicos indexados na base Thomson-ISI. Proporcionalamente a maior parcela é de instituições federais seguida pelas estaduais, privadas e finalmente as municipais.

 

UNIVERSIDADES

Nº TOTAL DE  UNIVERSIDADES EM 2005

UNIVERSIDADES ANALISADAS (COM 50 OU MAIS TRABALHOS)

% DO TOTAL DE UNIVERSIDADES QUE FORAM  ANALISADAS

FEDERAIS

52

40

76,9%

ESTADUAIS

33

15

45,4%

MUNICIPAIS

5

1

20,0%

PRIVADAS

86

23

26,7%

TOTAL

176

79

44,9%

 

Em termos de publicação, nesse período de 2001-2005 foram publicados 81.904 trabalhos, resultando em uma média de 963,6 trabalhos por instituição. Porém, apenas 20 (23,5%) dessas IES produziram acima da média e representam 81,98% da produção total. As instituições públicas publicaram 77.302 trabalhos (94,38% do total) enquanto as privadas tiveram 4.602 trabalhos (5,62%).

Entre as 85 IES, as 10 instituições que mais produziram foram responsáveis por mais da metade, 53.297 trabalhos publicados, correspondendo a 65,07%% da produção total. Todas elas são universidades públicas, cuja lista é encabeçada pela Universidade de São Paulo, USP, com praticamente 22% da produção total, seguida da Universidade de Campinas, UNICAMP, com 8,80% da produção total.

Tabela 1

RANKING DA PRODUÇÃO

INSTITUIÇÃO

2001

2002

2003

2004

2005

NÚMERO TRABALHOS

PUBLICADOS

% DO TOTAL DE TRABALHOS

Universidade de São Paulo

2865

3221

3505

4114

4240

17945

21,91%

Universidade Estadual de Campinas

1191

1346

1393

1607

1670

7207

8,80%

Universidade Federal do Rio de Janeiro

1154

1190

1204

1502

1444

6494

7,93%

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

834

1003

1044

1171

1264

5316

6,49%

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

655

757

816

943

987

4158

5,08%

Universidade Federal de Minas Gerais

610

686

725

760

893

3674

4,49%

Universidade Federal de São Paulo

347

477

517

581

611

2533

3,09%

Universidade Federal de São Carlos

397

447

443

517

486

2290

2,80%

Universidade Federal de Santa Catarina

296

335

335

423

489

1878

2,29%

10º

Universidade Federal do Paraná

265

327

363

393

454

1802

2,20%

(clique aqui para ver este ranking completo)

Entre as IES privadas, as 10 instituições que apresentaram maior número de trabalhos indexados foram responsáveis por 3.170 trabalhos publicados, correspondendo a 3,87% da produção total. Encabeça a lista das IES privadas mais produtivas a PUC do Rio de Janeiro com 1035 trabalhos correspondendo a 1,26% da produção total, seguida da PUC do Rio Grande do Sul com 550 trabalhos, sendo 0,67% da produção total.

Tabela 2

 

POSIÇÃO NO RANKING

INSTITUIÇÃO

2001

2002

2003

2004

2005

TOTAL

% TOTAL GERAL

19º

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

147

191

217

213

267

1035

1,26%

28º

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

65

86

111

132

156

550

0,67%

36º

Universidade Luterana do Brasil

28

49

53

77

76

283

0,35%

41º

Universidade do Vale do Itajaí

31

36

27

38

68

200

0,24%

42º

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

24

24

41

41

69

199

0,24%

44º

Universidade de Mogi das Cruzes

16

37

51

55

38

197

0,24%

47º

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

18

15

34

63

58

188

0,23%

49º

Universidade do Vale do Paraíba

20

24

40

40

52

176

0,21%

49º

Universidade Católica de Brasília

22

23

39

41

51

176

0,21%

10º

52º

Universidade de Caxias do Sul

17

20

29

38

62

166

0,20%

(clique aqui para ver este ranking completo)

 

A publicação indexada por região do país mostra uma forte predominância do sudeste  em relação às outras regiões, com 56.852 trabalhos, correspondendo a aproximados 70% da produção total. O sudeste tem 47% das IES analisadas, e 54% do total de doutores em TI das instituições.

Tabela 3

REGIÃO

Número Instituições

Trabalhos/

Instituição

Doutores TI/

Instituição

Número de Doutores  TI

Trabalhos/

Doutor

Trabalhos

Publicados

%  DO TOTAL DE

TRABALHOS

Sudeste

40

1421,30

490,72

19629

2,90

56852

69,41%

Sul

20

697,00

403,10

8062

1,73

13940

17,01%

Nordeste

15

500,40

373,47

5602

1,34

7506

9,16%

Centro Oeste

6

479,00

399,33

2396

1,20

2874

3,50%

Norte

4

183,25

236,75

947

0,77

733

0,89%


Em relação aos recursos para pesquisa, consideramos apenas aqueles investimentos oriundos do CNPq, por meio de auxílios a projetos de pesquisa e bolsas de pós-graduação. Como não estão disponíveis e em vista das dificuldades de se obter os dados, não foram levadas em consideração outras fontes de recursos de órgãos de fomento, como CAPES, FINEP, Fundações de Apoio públicas ou privadas, e nem das próprias instituições como salários dos docentes/pesquisadores.

Com os recursos do CNPq, o montante de investimentos no período 2001-2005 foi de R$ 2.462.799.000,00 (dois bilhões quatrocentos e sessenta e dois milhões e setecentos e noventa e nove mil